ARTIGO: 5061, a senha para a democratização da mídia

*Por Leopoldo Vieira

Pelo direito à informação pública e pelo princípio mínimo de que a sociedade deve poder se relacionar diretamente com seus representantes e que 100% dessa relação não pode ser mediada por empresas e dinâmicas comerciais.

O ex-presidente Lula deu a senha para, enfim, cessar um comportamento típico de algumas lideranças de esquerda. É que enquanto o Partido se empenha para organizar um movimento pela democratização da mídia, estas se empenham é em angariar espaços em jornais, na mesma lógica de opinião recente de Nelson Mota, o neoreacionário da indústria cultural: se o jornal (audiovisual, virtial, radiofônico ou impresso) tem audiência, preciso estar nela.

Durante ato pelos 30 anos da CUT, Lula, primeiro, alertou que não se pode esperar cobertura positiva de articulistas, joprnalistas, editores e empresas “que não gostam de gente progressista”. E foi taxativo: “é preciso parar de reclamar por não ter saído no jornal ou ganhado destaque na imprensa”.

Tomara que o escutem. Até porque, quando saem na imprensa, saem com fatos distorcidos e a lógica do “falem mal, mas falem de mim” já não contribui para a desmonopolização que o Brasil presica vivenciar nesta área.
Editorial do Estadão – “Lula, aliás Lincoln” – debocha deste discurso para os trabalhadores.

Do alto de três derrotas eleitorais, escondendo ou abrindo posição oficial, o Estadão, claro, jamais reconhecerá que o presidente que tirou 28 milhões da extrema pobreza e lançou 36 à classe média, por dados de 2010 já ultrapassados, pode ser comparado ao estadunidense que aboliu a escravidão. Jamais fará o paralelo historicamente correspondente, em evolução das condições e direitos sociais, evidente que existe entre a Lei Áurea, a CLT e este processo inédito de mobilidade social permitido pelo crescimento distributivo, via, principalmente, o Bolsa-Família como “primeiro incentivo”.


Mas, isso à parte, o Estadão ousa para muito além de suas pernas num trecho em especial: “o verdadeiro problema não é exatamente a existência ou não de veículos de comunicação abertos às questões de interesse das organizações sindicais, mas o nível de credibilidade e, consequentemente, de audiência e leitura desses veículos”.


Os historiadores sabem como esta credibilidade foi construída até os anos 90: se meu jornal tem apoio político e financeiro do governo e dos empresários que o governo representa, eu consigo uma circulação em escala de massas e, portanto, terei credibilidade, sendo o único ou disputando com mais um construído sob o mesmo perfil e critério.


Imagino como viveria o Estadão com a aprovação da lei de Antonhy Garotinho, o projeto 5061, que acaba com a obrigatoriedade da publicação de balanços empresariais em jornais impressos, onde um balanço chega a custar R$ 800 mil. Se fosse séria, a grande imprensa comercial, Estadão à frente, deveria apoiar a iniciativa. Afinal se a sustentação e a escala de distribuição destes jornais se dá pela compra e assinaturas advindas da credibilidade, o que temer?


Por outro lado, é necessário aproveitar boas oportunidades como a proposta do deputado Anthony Garotinho, que teve a coragem necessária de comprar o confronto. Se aproveitado o ensejo, os sem-mídia podem avançar para desobrigar a publicidade oficial, desde editais, nos jornais, baseados nos mesmos argumentos do projeto de Garotinho, a partir da lei que diz que os governos devem publicizar seus atos através dos veículos mais vendidos, o que só ocorre pela própria publicidade oficial em geral, assinaturas corporativas e esta obrigatoriedade quanto aos balanços comerciais.


Por fim, pelo direito à informação pública e pelo princípio mínimo de que a sociedade deve poder se relacionar diretamente com seus representantes e que 100% dessa relação não pode ser mediada por empresas e dinâmicas comerciais com, é hora de tornar A Voz do Brasil num programa gratuito e obrigatório também para a televisão.
Quem se arrisca?

* Leopoldo, 29, foi Secretário Nacional Adjunto e membro da Direção Nacional da Juventude do PT.

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