Carta aberta da Juventude do PT ao Parlamento Jovem de Caruaru – por Rafael Moreira*

Nos últimos anos, graças ao aumento da proporção de jovens na população brasileira, as políticas públicas voltadas ao segmento ganharam muito destaque. A criação da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), ainda durante o governo do Presidente Lula, impulsionou a institucionalização da juventude, através do Plano Nacional de Juventude, da criação do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), o PEC da Juventude, o projeto do Estatuto da Juventude, etc.

Em Pernambuco e mais especificamente, em Caruaru, não foi diferente. Foi criada uma Diretoria de Juventude e entre as diversas iniciativas recentes, o Parlamento Jovem (PJ), projeto que muito pode contribuir para a visibilidade e o protagonismo da juventude caruaruense e que em nossa opinião tem gerado debates importantes, mas que como todo processo em constante construção, carece de crítica (construtiva) e autocrítica para continuar avançando.

É preciso fazer com que o Parlamento Jovem sirva de exemplo da mudança que a juventude quer ver na política, radicalizando na democracia desde o seu acesso, por isso é impossível para nós da Juventude do Partido dos Trabalhadores, deixar de notar uma tendência classista em sua composição, que garante a presença de entidades patronais, através de cadeiras cativas para a CDL, o Sindloja e a Acic, mas não garante o mesmo direito às entidades de representação dos trabalhadores. Não se trata aqui de defender ou atacar as vagas dessas entidades, mas de garantir-se o reino do princípio da isonomia, que é essencial ao trato da coisa pública.

Em seguida, se faz necessário compreender o caráter transitório da juventude, momento entre a infância e a vida adulta, que dura até vinte e nove anos, em que o indivíduo se encontra em fase de experimentação de ordem pessoal, política, sexual, profissional, etc. Para democratizar ainda mais o Parlamento Jovem, é preciso dar a um número maior de jovens a oportunidade de compor esse espaço, garantindo que os mandatos não sejam prolongados por mais um ano. Assim, permite-se a reoxigenação constante do PJ e a formação de mais lideranças juvenis.

Ao mesmo tempo, reconhecemos a ingerência e desatenção promovidas pela Câmara Legislativa Municipal a essa importante instância e instrumento representativo da juventude ao longo do ano de 2012, resultando na não apreciação dos projetos apresentados pelos parlamentares jovens, na falta de acompanhamento, orientação e formação legislativas aos mesmos, bem como naausência de estruturas logísticas adequadas ao funcionamento das sessões ordinárias. Esse alto nível de negligência da Câmara culminou na desmotivação dos vereadores jovens, evasão de parte de sua composição, pouca expressividade dos projetos apresentados e enfraquecimento significativo do Parlamento Jovem, fato que estaremos atentos neste 2013 para que não se repita, afinal, o PJ é de toda a juventude caruaruense.

Por último, é preciso acabar com a hipocrisia do discurso que afirma que os debates entre os parlamentares jovens não devem se estender às questões políticas da cidade. A juventude, mais que qualquer outro segmento social, assume lado e isso quem prova é a História: Abolição da Escravatura, campanhas pela exploração estatal dos recursos minerais, luta contra a ditadura militar, impeachment de Fernando Collor, luta contra as privatizações e os cortes de investimento na educação, luta pelo investimento de 50% dos royalties do petróleo em educação, são só alguns exemplos de bandeiras levantadas pela juventude brasileira ao longo de nossa História. A questão que pode e deve ser levantada é que essa juventude precisa construir uma nova cultura política em que o debate se dê no nível da idéias e dos projetos e não mais com picuinhas, fisiologismo, individualismo e clientelismo.

Para nós, da Juventude do Partido dos Trabalhadores, nessa nova cultura política não cabe a disputa rasteira, contaminada pela inversão de prioridades que coloca interesses pessoais acima de projetos que melhorem as condições de vida (em todos os aspectos) da juventude e do povo. Sabemos que muitos de nossos vereadores jovens fizeram proposições interessantes de serem debatidas pela sociedade caruaruense (independente de concordarmos ou não com as mesmas), mas ainda persiste uma tendência à disputa mesquinha por um espaço que deve servir a interesses maiores.

Se queremos que algo mude, devemos ser a mudança que queremos ver no mundo.

*Rafael Moreira é Secretário de Juventude do Partido dos Trabalhadores de Caruaru

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