Archive | dezembro 2012

Proposta de reforma política poderá ser votada nesta semana na Câmara

joaopaulolima2A proposta de reforma política tramita na Câmara dos Deputados há quase dois anos e poderá ser votada esta semana caso haja acordo de líderes.

Segundo informações do deputado João Paulo Lima (PT/PE) foi necessária muita negociação e alguns partidos cederam em algumas questões. O ponto central do debate ficou em torno do financiamento público de campanha.

“Como está muito difícil estamos lutando para que, no mínimo, três questões sejam aprovadas no Congresso Nacional. Primeiro o financiamento público de campanha, que é fundamental para evitar a corrupção, desvios de recursos e para que setores significativos da sociedade, principalmente das representações populares de trabalhadores possam disputar as eleições. Segundo é a participação da mulher”, explicou João Paulo.

A proposta de votação em uma lista fechada não foi totalmente aceita e a cláusula de barreira deverá ser extinta. Por essa regra, os partidos que não atingiram um coeficiente mínimo para a eleição, não têm direito a eleger deputados ou vereadores.

Pela nova proposta, depois de distribuídas as vagas que cabem a esse coeficiente, as vagas restantes seriam novamente distribuídas entre todos os partidos, e não apenas entre os que atingiram aquela votação.

Fonte: Fabrícia Neves e Neide Freitas – Portal do PT
Foto: Richard Casas/PT

Presidente Nacional do PT, Rui Falcão, em entrevista na sede do Partido em Brasília

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Em entrevista coletiva após a reunião do Diretório Nacional, ocorrida nesta sexta-feira e sábado (8) o presidente Nacional do PT, Rui Falcão, confirmou a realização do V Congresso do PT.

Rui também afirmou que foram feitas avaliações sobre o futuro do Partido, assim como um balanço dos 10 anos de governo petista iniciado com o presidente Lula.

“Neste período produzimos grandes transformações no Brasil e continuamos com o objetivo de melhorar a vida da população. Vamos, também, simultaneamente ao V Congresso, realizar nosso processo de eleições diretas interno do Partido, que na última eleição contou com mais de 520 mil filiados”.

Na entrevista, questionado por jornalistas, o presidente do Partido Rui Falcão comentou que a reportagem publicada pela revista Veja nesta semana é mentirosa por não ter publicado sua versão sobre não ter sido procurado por Paulo Vieira, indiciado na investigação da PF. “Fui procurado pelo jornalista, neguei, mas a revista não registrou minha negativa. Não conheço Paulo Vieira nem nunca falei com ele”, afirmou.

“O PT nada tem haver com a investigação da Polícia Federal, que faz seu trabalho regularmente e que fixa os prazos para continuidade ou encerramento dos inquéritos. Desde o governo Lula, a Polícia Federal tem liberdade de ação, foi reaparelhada funcionalmente e materialmente e cumpre suas funções. Além disso, o ex-presidente Lula nunca se envolveu com essa operação”, explicou o presidente.

Em relação aos petistas julgados pela ação penal 470, o presidente Rui Falcão explicou que permanecem com todos os direitos partidários assegurados. “Não vemos, primeiro, nenhum crime infamante, que é o que diz o estatuto. E, segundo, nós questionamos o caráter político do julgamento do Supremo Tribunal Federal, porque consideramos que não houve compra de votos nem tampouco aplicação de recursos públicos”, afirmou.

Confira no vídeo a seguir, a íntegra da entrevista do presidente nacional do PT:

Fonte: Janary Damacena – Portal do PT

ARTIGO: Meia-entrada no debate do Estatuto da Juventude

Por Patrick Campos  e Jonatas Moreth*

Em texto publicado no sítio eletrônico da União Nacional dos Estudantes em Novembro deste ano, diretores da UNE e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas defenderam “a meia-entrada para os estudantes, vinculada às carteirinhas da UNE e UBES” bem como “para o jovem de baixa renda que não estuda”.
O debate orbita a discussão central do Estatuto da Juventude, em vias de aprovação no Senado Federal, questão da mais alta relevância para o conjunto das juventudes no Brasil, pois trata da consolidação e ampliação dos direitos dos jovens.

Exatamente por isso, as afirmações do texto publicado no site da UNE suscitam uma discussão mais aprofundada. É de causar estranheza que sejam exatamente aqueles que historicamente lutaram para que o direito a meia-entrada se tornasse uma realidade, agora sejam os que trabalham por sua mitigação.
A luta pelo direito a meia-entrada marcou a história recente do movimento estudantil brasileiro. Foi por meio de suas principais entidades e da participação de cada uma e cada um das/os estudantes que saímos vitoriosas/os.
Mas cabe aqui fazer um parêntese.

 Esta luta tinha como centro, o direto à cultura e ao lazer, com a garantia de seu acesso a uma parcela da sociedade historicamente privada deste. Privada porque, em sua grande maioria os estudantes não possuem renda nem trabalho; vivem de mesadas, bolsas e pequenas remunerações. Bem como, os próprios estudantes empregados ocupam muitas vezes postos de trabalho precarizados e mal remunerados.

A questão portanto era: como ampliar o acesso desta parte da população à um direito tão fundamental como a cultura e o lazer? A resposta dada foi a meia-entrada. O pagamento de metade dos valores cobrados em shows, espetáculos, eventos esportivos e etc. O instrumento para tanto, uma Carteira. Emitida pelas entidades estudantis nacionais e distribuída pelas entidades de base.

É nesse ponto da história, que ocorre uma ampliação significativa do financiamento da rede do movimento estudantil, com destaque para as duas principais entidades nacionais: UNE e UBES. Este autofinanciamento tem papel decisivo no aumento da capacidade de atuação das entidades estudantis, pois estas ganham mais autonomia. Não precisam ficar reféns de financiamentos privados e mesmo públicos. Sem dúvidas esta autonomia mudou o perfil organizativo e mobilizador do Movimento Estudantil brasileiro.

No entanto, quando debatemos o Estatuto da Juventude, que é um marco no que diz respeito a garantia dos direitos, bem como das suas ampliações e inovações para a juventude, a discussão da meia entrada precisa ter como fundamento sua própria gênese. Ou seja, a ampliação do acesso à cultura e ao lazer, por uma parcela da população brasileira que não se resume apenas aqueles que se encontram na condição de estudante. Falamos agora de todos que estão na condição de jovem.

Apesar do crescimento econômico; da melhoria na qualidade de vida de milhões de pessoas nos últimos dez anos; da valorização do salário mínimo; da queda do desemprego e de tantos outros números positivos e otimistas que podem ser citados, a juventude, que hoje representa ¼ da população brasileira, é quem ainda reúne os piores índices de falta de acesso a equipamentos e instrumentos públicos e privados de cultura, lazer e mobilidade, entre outros.

Por estas razões, torna-se impossível a concordância com posições tão retraídas e comodistas. O momento é de luta pela ampliação de nossos direitos. O texto publicado no site da UNE possui fundamento importante ao ressaltar o papel da meia-entrada e da carteirinha de estudante, mas peca ao ignorar, propositadamente ou não, os demais jovens, fazendo apenas vaga referência ao “jovem de baixa renda que não estuda”.

Cabe aqui afirmar que a vinculação do exercício do direito ao porte da carteira de estudante já não representa um avanço, mas uma exclusão quando se trata dos jovens não estudantes. Exatamente por isso o debate não pode girar em torno da questão “estudante e não estudante”, mas sim da ampliação necessária dos direitos de todos os jovens, pois é esta a nova condição que baliza a ampliação deste direito.

 Em sendo assim, é preciso ter coragem de enfrentar a questão, garantindo que a juventude brasileira não perca o bonde da história e tenha a possibilidade de viver a sua juventude, nas mais diversas formas e situações que hoje estão os jovens no Brasil, sendo que a partir de agora com acesso ampliado a cultura e opções de lazer.

 Não comprar esta briga é um passo atrás na caminhada por novos direitos. É passar como verdade, a mentira, de que aqueles que oferecem pouco aos muitos necessitados, enquanto guardam os lucros em seus bolsos, são mais fortes. Como há muito já se dizia “façamos nós com as próprias mãos, tudo que a nós nos diz respeito”!

 MEIA-ENTRADA PARA TODA A JUVENTUDE SIM!

 *Patrick Campos é Coordenador de Formação Política da JPT-PE, e Jonatas Moreth é  3º Diretor de Políticas Educacionais da UNE.

Para 58%, Luciano Duque fará boa gestão em Serra Talhada

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A boa avaliação do prefeito de Serra Talhada, Carlos Evandro (sem partido), influenciou no processo eleitoral da sua sucessão nas eleições de outubro passado, permitindo que o seu candidato, o vice-prefeito Luciano Duque (PT), tenha obtido sucesso no enfrentamento ao deputado Sebastião Oliveira (PR), ligado ao grupo do deputado federal Inocêncio Oliveira e apoiado pelo governador Eduardo Campos (PSB).

Duque teve 23.114 votos, o que corresponde a 53,93% dos eleitores. Já o candidato da oposição, Sebastião Oliveira, do PR, teve 19.743 votos, o que equivale a 46,07% do eleitorado. A frente, de mais de três mil votos, gerou uma grande expectativa na população no sentido de que a gestão de Carlos Evandro tenha continuidade.

Por isso, o Instituto Opinião apurou o sentimento da população em relação ao governo do prefeito eleito. Para 58,5% dos entrevistados, Luciano Duque fará uma boa administração, enquanto 19,3% acham que não e 22,2% não quiseram ou não souberam opinar. A maior esperança está no segmento jovem.

Para 68,8% dos eleitores na faixa etária entre 16 e 24 anos, Duque terá amplo êxito. O maior percentual de confiança em seguida se observa entre os eleitores na faixa etária de 25 a 34 anos, com 63% de expectativa positiva. Em seguida vem os eleitores na faixa de 35 a 44 anos (50%) e entre 45 a 59 anos (56,3). Já entre os eleitores acima de 60 anos, esta confiança está na faixa de 52%.

METODOLOGIA

A modalidade de pesquisa adotada envolveu a técnica de Survey, que consiste na aplicação de questionários estruturados e padronizados a uma amostra representativa do universo de investigação.  Foram realizadas entrevistas pessoais e domiciliares.  As entrevistas foram realizadas por uma equipe de entrevistadores, devidamente treinada para abordagem desse tipo de público; supervisionada pelo coordenador de campo da OPINIÃO – Pesquisas Sociais Ltda.

As entrevistas foram realizadas nos seguintes bairros: AABB, Bom Jesus, CAGEP, Caxixola, Centro, COHAB, IPSEP, José Tomé de Sousa Ramos, Malhadinha, Mutirão, Nossa Senhora da Conceição, São Cristóvão, São Sebastião e Várzea. E com os moradores da zona rural foram realizadas nas seguintes localidades: Caiçarinha da Penha, Distrito de Bernardo Vieira, Distrito de Santa Rita, Distrito Tauapiranga, Logradouro, Luanda e Varzinha.

Fonte: Blog do Magno

O que a Bienal da UNE tem? A diretora de cultura da entidade explica

Para levantar os ânimos da estudantada de todo país, chega em 2013 mais uma edição do tradicional festival de cultura da UNE. A BIENAL se firma hoje como o maior evento estudantil da América Latina e completa a sua oitava edição muito mais madura em relação aos desafios do Brasil. O evento acontecerá em Recife e Olinda, entre os dias 22 e 26 de janeiro, e traz para o centro das comemorações o centenário de Luiz Gonzaga.

Para falar sobre o assunto, o site da UNE preparou uma entrevista exclusiva com a diretora de Cultura da entidade, Maria das Neves. Na estrada desde outubro, Maria já percorreu mais de 20 universidades para divulgar a Bienal. Amazonense, deixou o namorado, o tucupi e o tacacá para levar aos estudantes do Brasil um pouquinho do que vai acontecer nesse próximo janeiro.

Durante a entrevista, Maria explica a relação do movimento estudantil com a produção cultural no país, discorre sobre o tema da 8ª BIENAL e cita até o movimento emblemático na cultura brasileira, o Centro Popular de Cultura, CPC da UNE. Confira:

A Bienal da UNE é o maior festival estudantil da América Latina. É momento em que a UNE propicia um encontro entre os estudantes e a cultura popular brasileira. Momento para muitos de descobertas e aprendizado. A grande diferença é que a Bienal que fazemos é carregada de brasilidade, de patriotismo e diversidade. É onde a UNE acentua os elementos que constroem nossa identidade nacional. É feita por e para estudantes brasileiros. Estudantes de norte a sul do país de todas as cores, todos os credos, que se unem para celebrar o Brasil, nossa cultura e a história do nosso povo. Cada um traz a bandeira do seu Estado, sua música, seu gingado. E fazem da Bienal da UNE o festival mais plural e, portanto, mais brasileiro que existe. A Bienal também não é um evento estático. Ela já passou por 4 estados: Bahia (1° e 6°), RJ (2°,5°,7°), SP (4°) e Pernambuco, que recebeu a 3° Bienal e agora receberá a 8° edição do evento. Isso permite, de fato, que o estudante conheça o Brasil. Um dia chagaremos no Norte!

 Certamente. Desde o CPC da UNE, a cultura sempre foi um instrumento de luta para expressarmos nossas opiniões políticas através de uma linguagem que comovesse, politizasse e conquistasse não só os estudantes, mas a sociedade como um todo. A Bienal é o momento em que debatemos, formulamos e avaliamos a política cultural brasileira. Em 2003, a 3° Bienal da UNE, também em Pernambuco, debateu as políticas públicas para cultura no Brasil nos marcos do governo Lula. Retornando a Recife e Olinda, é hora de avaliar o que avançamos e os novos desafios passados 10 anos de governos progressistas. Tivemos importantes vitórias recentemente para a cultura brasileira no Congresso Nacional, como a aprovação do Sistema Nacional de Cultura e o Vale Cultura (a ser sancionada pela Presidenta Dilma). No entanto, a batalha continua para aprovarmos a Lei Cultura Viva, que acaba de ser aprovado na comissão de finanças e tributação da Câmara dos Deputados. O projeto visa consolidar os pontos de cultura e o programa Cultura Viva como política de estado. A UNE defende a cultura como parte indispensável para a plena formação do estudante e do cidadão brasileiro, um direito básico. Portanto, essa luta é de todos nós!

 A Bienal é outra forma da UNE dialogar com os estudantes que não se sentem atraídos em militar no DCE ou no Centro Acadêmico. A universidade é um espaço heterogêneo e precisamos que todas as tribos dentro dela participem da luta política de alguma forma. E cada vez mais fortaleça a UNE e a rede do movimento estudantil. Da necessidade de dialogar mais com o conjunto dos estudantes, a UNE lançou na 2° Bienal, o Circuito de Cultura e Arte da UNE (CUCA da UNE). A juventude é força motriz das transformações sociais e uma parcela concentra-se nas escolas e universidades. A UNE precisa de todos (as) estudantes mobilizados, tencionados para ajudar a pressionar pela Reforma Universitária e para continuar mudando o Brasil. Então é isso, a Bienal faz a UNE e o CUCA falar para mais gente, trazer mais gente para luta!

 Sem dúvida. Não se pode conceber uma educação sem cultura. A Bienal é a síntese desse debate. É o espaço mais democrático e interativo construído pelo movimento social. Sem discriminação e preconceitos, todo e qualquer estudante pode inscrever-se e subir aos palcos da Bienal. Afinal, a Bienal é isso, o momento em que os estudantes deixam de ser apenas plateia e tornam-se protagonistas!

Há muita coisa sendo produzida pelos estudantes dentro e fora das universidades. É preciso mais incentivo, é preciso dar oportunidade. O CUCA da UNE é quem faz esse diálogo entre o que esta fora e dentro da Universidade. É necessário, na verdade, romper com os muros da universidade e quebrar essa dicotomia. A cultura popular, por exemplo, tem que estar dentro da universidade. E a universidade precisa contribuir para a sua difusão e seu resgate.

A 8 ª Bienal da UNE com o tema “ A volta da Asa Branca”, além de fazer uma justa homenagem a Luiz Gonzaga, falará de um povo que ajudou a construir o Brasil. São milhares de migrantes nordestinos que saíram da sua terra em busca de prosperidade e levaram consigo seus sonhos, sua alegria, sua cultura. Cultura essa cantada Brasil a fora por “Lua” através do forró. Todo bom brasileiro tem sangue nordestino nas veias. Minha mãe-vó, por exemplo, filha de um paraibano com uma potiguar foi para o Amazonas com a família quando era ainda uma criança atrás de uma vida melhor, fugindo da seca e da miséria. Teve 13 filhos. Professoras, operários, empresários, tem de tudo.  Hoje, no entanto, o nordestino esta voltando para casa, segundo dados apresentados pelo IBGE. E Pernambuco é o destino mais procurado pelos nordestinos. A UNE volta ao fole do “Rei do Sertão”, a esse novo nordeste, com mais expectativa de vida, apesar dos desafios ainda impostos pela seca. Será uma celebração emocionante!

Luiz Gonzaga, além de um grande brasileiro, artista excepcional, também foi porta voz de um povo sofrido, castigado pela seca, pela miséria. Esse povo, no entanto, é bravo, destemido e trabalhado, que em meio a dor e alegria festejava em homenagem a “ Padim Ciço”, a Lampião e Maria Bonita (o sagrado e o profano sempre juntos). Seu legado cultural é extraordinário. Sua música devolveu a auto-estima dos nordestinos espalhados pelo Brasil. Então, tivemos a grata felicidade de coincidir a construção da Bienal com o centenário de Luiz. Fomos bem recebidos pela UEP e o movimento estudantil local, além de contarmos com o importante apoio do Governo do Estado de Pernambuco. Portanto, a UNE, patriota que é, não poderia deixar de homenagear um dos brasileiros mais ilustres, que fez o mundo inteiro cantar “asa branca”, dançar e se emocionar com a história da nossa gente.

“ A volta da asa branca”, de autoria do próprio Luiz Gonzaga, tema da Bienal, além de ser linda tem tudo a ver com o contexto que vive Pernambuco e todo o Nordeste. O povo esta voltando para casa!

“A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão”

Estudantes de todo Brasil inscrevem seus trabalhos que serão selecionados nas áreas de música, artes cênicas, audiovisual, artes visuais, literatura, projetos de extensão, mostra de ciência e tecnologia. Tem mostras convidadas de todas essas áreas e ainda oficinas, mini-cursos, lado C (integração com a cultura local), debates, conferências, shows abertos (artistas nacionais e locais) e por fim a culturata. Ufa! É uma agenda intensa, durante cinco dias, totalmente aberta ao público.  Durante o dia, os espaços da Bienal estão abertos para as mostras selecionadas de estudantes de todo Brasil e, a noite, é marcada por shows inesquecíveis!  A programação e os espaços onde ocorrem as atividades servem para desenvolver o tema proposto e propiciar que o estudante que vem de outro estado possa conhecer também a cultura local.

A meta é sempre dobrar o número de trabalhos inscritos. Contamos para isso com a rede organizada do Movimento Estudantil (CA´s), DCE´s, UEE´s e a rede do CUCA para potencializar a mobilização e inscrição de trabalhos.  É dever de todo diretor da UNE, cuqueiros e lideranças estudantis mobilizar e motivar a inscrição de trabalhos. Por todo Brasil, pipocam lançamentos da 8° Bienal da UNE. Aqui mesmo na Paraíba, onde também estou mobilizando para o CONEB, fizemos um grande lançamento na Virada Cultural do DCE da UEPB e por aí vai. Nessa reta final é preciso “Gonzaguiar” mais a universidade, contagiar os estudantes. Organizar as caravanas, fazer o credenciamento, arrumar a mochila, não esquecer a barraca e o colchonete e preparar-se para uma grande aula-espetáculo de Brasil!

Começarei pelo fim. A novidade é a maior interação com os principais pontos turísticos de Pernambuco. Durante o dia ocuparemos Olinda com uma superestrutura montada na Praça do Carmo e ao redor. Ao anoitecer, levaremos os estudantes ao Marco-Zero onde acontecerão os shows principais. Esse é meio que o roteiro feito durante o carnaval. E nas prévias da maior festa  popular do Brasil, o carnaval, os estudantes entrarão no pique na folia.

Legado: Queremos deixar um legado desta Bienal para a cultura popular brasileira. Recentemente, o frevo foi considerado patrimônio imaterial da humanidade. Agora é vez do forró de Luiz Gonzaga e suas matrizes, profunda expressão do povo nordestino e brasileiro, existente em cada canto desse país. Fortaleceremos portanto, essa que é uma luta de cada sanfoneiro, zabumbeiro, trianguleiros e forrozeiros herdeiros de Gonzagão.  O reconhecimento deste bem como Patrimônio Cultural brasileiro poderá reforçar o apoio à dinâmica dessas tradições tão importantes para o nosso país. Quem nunca foi ficará apaixonado! O coração vai bater mais forte, ficará ansioso por cada novo encontro, suará frio só de pensar nas expectativas que a programação lhe proporcionará.  E vai se entregar a um profundo sentimento de brasilidade que contagiara sua vida. Se cada estudante sair da 8° Bienal , comprar um CD de Luiz Gonzaga e aprender a apreciar sua música, a UNE  terá cumprido sua missão: fazer o estudante ser mais brasileiro! E ter muito orgulho disso. Por cada elemento que constitui nossa cultura, por cada jeito de falar e se expressar que fazem do Brasil uma nação tão plural, mas unida e soberana sobre seu patrimônio e a sua liberdade.

Patricia Blumberg

ARTIGO: A meia-entrada para a inclusão social e o financiamento das lutas

Por Angelo Raniere e Caio Pinheiro

A meia-entrada cultural se tornou um dos pontos mais polêmicos do Estatuto da Juventude, que tramita no Congresso Nacional mas, na verdade, é um debate que ronda o movimento estudantil pelo menos desde os anos 90.
Até então detentora do monopólio da emissão das carteirinhas que davam acesso ao direito de pagar metade do preço em eventos artísticos e esportivos, a UNE e a UBES, presididas por uma organização de esquerda, eram criticadas por cobrarem uma espécie de “imposto estudantil”, que levaria a um “aparelhamento” das entidades. Em 2002, o governo de Fernando Henrique Cardoso aprovou uma Medida Provisória permitindo que todo adolescente até 18 anos pagasse meia-entrada comprovando a idade e todo estudante também, provando seu vínculo educacional. A partir daí uma gama de “entidades” e “carteiras” estudantis surgiram, “democratizando” o benefício, mas enfraquecendo as entidades estudantis. Hoje a questão volta à tona.

Na nossa opinião, vale discutir o presente: em torno da MP,  a meia-entrada virou um lucrativo negócio complementar à própria indústria cultural que reclama do excesso de meia-entrada. Foi mais ou menos como o fenômeno dos CDs piratas. Primeiro, incentivados pelas gravadoras como forma de ampliar lucros e reduzir a rentabilidade dos artistas. Depois, um prejuízo incalculável quando a economia popular expandiu espantosamente a iniciativa como fonte de renda.

Enquanto setores da esquerda acreditam que travam uma disputa real sobre se a meia deve ser só para estudantes ou para todos os jovens, a direita, representante dos poderosos interesses empresariais do ramo artístico no Congresso Nacional, já demarcou suas fronteiras. Ninguém menos do que os então poderosos senadores Aloízio Nunes Ferreira (PSDB/SP) e Demóstenes Torres (DEM/GO) impuseram cotas para o exercício do direito neste estágio atual do projeto. Assim, em eventos com patrocínio público, 50% dos ingressos seriam reservados aos portadores de qualquer tipo de meia, seja pela renda, carteirinha ou vínculo escolar. Em eventos só com patrocínio privado, apenas 40% seriam reservados a este público. Ao definir este território para início de conversa, qualquer proposta alternativa está de partida derrotada, pois, seja como for, terão que se engalfinhar em torno deste percentual que sobra.

Há quem não se importe com o fato de que estudantes ricos e pobres por esta migalha, prejudicando, claro, os segundos, com menor poder aquisitivo, desde no próximo CONUNE ou CONUBES se possa cantar que tal força “contra o He-Man apoiou o Esqueleto”. Há ainda os que não vêem problema nesta competição selvagem acreditando que o enfraquecimento de uma entidade estudantil é sinônimo do enfraquecimento de uma força política, ainda que ela seja de esquerda, associada à rasteira ilusão de que, ali na frente, por causa disso, outro grupo poderia tomar a tal entidade de assalto.

Nossa opção é mais profunda.

Acreditamos que o mundo tal como é hoje deve ser girado, para que os de cima não fiquem para sempre em cima e, os de baixo, para sempre em baixo. Por isso, o enfrentamento com a direita é a prioridade e só pode obter sucesso juntando a esquerda e permitindo que o jovem ou estudante que precise pague meia, sem cotas, que, na verdade, são o capitalismo sem risco, com margem de lucro garantida.

Também achamos que apesar da grande mobilidade social vivida pelo Brasil desde 2003, que gerou a “classe C”, onde a maioria é jovem, esta ainda não é capaz de sustentar o projeto político de quem a gerou e, menos ainda, as transformações necessárias para libertá-la completamente dos grilhões que a prendem na alienação intelectual, política e cultural forjada em 500 anos. O povo brasileiro ainda precisa de centrais sindicais fortes, movimentos camponeses fortes e entidades estudantis fortes. UNE e UBES estiveram na linha da resistência em 2005 contra o golpe das elites e não é porque são “aparelhos” que apanham diariamente da velha mídia golpista. Nós, por isso, achamos que é estratégico fortalecê-las e financiá-las, construindo uma direção política plural, de esquerda, democrática e popular assim como a atual direção política do Governo Federal.

No caso da meia-entrada, nossa contradição é com as cotas e com o poder de bala das elites do ramo cultural,  que querem um movimento estudantil dividido para encontrarem pouca resistência na marcha  dos interesses privados contra os direitos públicos. Elites que não se importam com quem vai pagar meia, desde que seja 50% ou 40%.  O aspecto fundamental da contradição é saber que precisamos de entidades estudantis fortes para apoiar o aprofundamento das transformações sociais do Brasil.

Dada as condições concretas da luta de classes no Brasil, optamos por defender a meia-entrada para os estudantes, vinculada às carteirinhas da UNE e UBES, o financiamento da UNE e UBES pelas suas bases sociais, em detrimento dos mercadores que as enfraquecem vendendo direito para a estudantada. Na outra ponta, sustentamos a meia-entrada para o jovem de baixa renda que não estuda, até porque somos a favor da universalização plena da educação. Não obsta que, posteriormente, a UNE e UBES possam fazer um selo para prounistas, fiesistas e cotistas, assim como dialoguemos com o governo sobre o tema, com destaque para a Casa Civil, que é quem efetivamente decide, para convergirmos em torno de quem é esta “baixa renda”. Seriam as classes D e E do Instituto DataPopular ou da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência? Seria pelo DataSUS ou pelo Bolsa-Família? Este benefício seria tirado como as meias-passagens municipais, em pontos fixos?

Este é um debate para o futuro. Hoje, trata-se de derrotar o inimigo principal.

Angelo Raniere é 2º vice-presidente da UNE e membro da JPT-PE. Caio Pinheiro, vice-presidente da UBES. Ambos integram o movimento estudantil ParaTodos.

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